quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O HEREGE

       (extraido do meu livro:
    FATOS E NÃO BOATOS)

Numa chácara sediada nos arredores da cidade de Bambui, oeste de Minas Gerais, vivia uma donzela "de meia idade". Ela era conhecida como "Madrinha" e era muito querida por todos. Sua casa era grande e tinha um quintal enorme onde, prazeirosamente, brincavam as muitas criança que ela cuidava. Crianças filhas de fazendeiros da região as quais vinham estudar na cidade e ficavam hospedadas em sua casa. Todos a conheciam e estimavam deveras. Cuidadora e cuidados, viviam em perfeita harmonia.
Entre essas crianças estava o garoto Virgílio e seu afilhado Honório José Teotônio, vindos da fazenda Passo Fundo. Honório viria a ser, mais tarde, proprietário da fazenda Potreiro. Um dia, estavam todas(as crianças)à mesa para o almoço, numa Sexta Feira Santa. Madrinha não pusera carne na mesa, como mandava a sua fé de católica fervorosa. Virgílio reclama:
- Eu não vou comer a Sexta Feira Santa! Eu não como sem carne.
Madrinha, para satisfazer sua vontade, vai até uma lata (de querozene-cabia 20 litros)onde costumava guardar carnes recheadas, conservadas em manteiga suina(uma delícia!), retirou de lá uma grande e cheirosa posta de carne, aqueceu-a e colocou-a na mesa, diante de Virgílio que logo pegou a faca e partiu-o. Naquele momento, um horrível cheiro da carniça se fez sentir no ar. Assustado, Virgílio diz:
- Credo! Se...este fato aconteceu comigo, é pra que eu não coma carne em dia de Sexta Feira Santa, nem em dias santos de guarda. Nunca mais comerei!
E ali, diante de todos, naquele instante, o mau cheiro desapareceu.
Honório José Teotônio, homem justo e de grande fé, foi testemunha deste fato.
Ele que sempre fora temente a Deus, sentiu a Mão do Todo Poderoso.

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