quinta-feira, 22 de novembro de 2012

CONFITEOR

             CONFISSÃO DE UM POETA


Já no ocaso da vida, um velho poeta
resolve abrir-se consigo mesmo e confessa:


Eu vim, como um beija-flor...
P'ra o único beijo te dar.
Insinuado pelo amor
Sem jamais poder ficar.

Bastou-me um segundo para sentir que te amava.
Um mês foi o bastante para entender que é amor
o que sinto por ti. Um amor tão grande, capaz de
anular-se, para não te ver sofrer; que reflete sobre
si mesmo, todas as suas dores, para não te ver chorar;
que atapeta o teu caminho, para que não te machuques
no teu caminhar.
Bastou-me olhar-te uma vez, para certificar-me do sentimento que
despertavas em mim, que se desencadeavam, todas as
emoções do amor.
Então...houve festa no meu coração!
E...eu te amei, com a desconhecida profundidade
dos oceanos; com a beleza e o esplendor do céu infinito;
com a verdade e realeza desta augusta terra!

Todavia me deixei morrer, embevecido, ante o brilho
ofuscante deste céu...
Deixei-me afogar, passivo, ante a força das ondas...
Eu me vi sobre as crispadas ondas, debatendo-me naquele mar revolto...

Contudo, precisei de todo esse tempo, para me convencer
de que não podia te amar, e que para mim não havia caminhos,
nem horizontes.

E é, com o coração de joelhos, que te peço perdão,
por ter sido tão fraco, e ter preferido a guilhotina
que o suplício da cruz.

Assim, o tempo que tudo pode, encarregar-se-á
de apagar-te da minha memória e eternizar-te
no meu coração.

Se fosse possível, eu te diria: envio-te, de coração,
este adeus com sensação de morte, e com todo o
amor da minh'alma, este primeiro e último beijo,
com sabor de eternidade.

                                      Do apaixonado Sr.X

Este ensaio, foi encontrado por seus familiares,
muito tempo depois de sua morte.

domingo, 18 de novembro de 2012

A ESCRAVOCRATA

             (escravocrata em plenos século XXI)


Em pleno século XXI?!!!
E...por que não?
A "compulsividade" (sentido de compulsão - acabo de criar o temo)
é a atitude "the best" do momento. Está em todo lugar e na boca
de todos, sem distinção de credo, raça ou classe social.
É uma desabalada corrida para a notoriedade, legado pela beleza
que escraviza e corrompe. Todos de joelhos, rendidos ante a força
e o poder dessa escravocrata, cuja trilogia de atuação enfeitiça e
domina: consumismo, moda e beleza.
Tudo com segundas intenções: seduzir e conquistar, seja a quem for:
jovens, idosos, ou trair os amigos(casos amorosos), convencer
aos adolescentes enfim, colocar todo mundo "de quatro", ante o
seu fascínio, e completamente atados ao compromisso de
fazerem de tudo, para não perdê-la, podendo ou não, custe o
que custar, subtraindo ou não, honorários de prioridades e emergências.
Nada importa mais, que estar na moda, e sempre belos. Então...
sentem-se poderosos e acham que tudo podem.
Nem percebam que já são escravos da beleza.
Fico a imaginar, como será o seu acordar, quando perceberem
que, nada neste mundo é eterno.
E o corpo, uma vez envelhecido, ela terá sido também.
Quando a beleza, tão cultuada se for, você, sua vaidosa
dependência, terão ido com ela.
Sem choro nem vela!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

SAUDADE

         CISMANDO...


Lembrando-me dos ensinamentos que recebi de alguns orientadores
religiosos, de sociólogos, professores e filósofos,
vem-me à mente este pensamento: "A saudade é a alma
dizendo para onde quer voltar", ou para onde ir, acho.
E como, a gente resiste a ela, não?
Anos e anos, ela insistindo(a alma), e a gente protelando...
protelando...atendê-la, e se consumindo num suplício contínuo e
doloroso.
Na música: I can't stop loving you composta por Ray Charles,
brilhantemente interpretada pelo pop star Tom Jones, uma
de suas frases diz: "... ouvi dizer que o tempo cura todas as feridas,
mas o tempo parou no momento em que se separou de mim".
O amor tem disso. Se não existe AMOR, não haverá saudade.
Saudade é privilégio do amor. Quem não ama, não a conhece.
Se amar, ah...pode contar com ela, quando estiver só!
Ela o torturará, por dias e dias, anos e anos, não importa
o tempo, nem o lugar. Ela fará morada no seu coração.
E mais, ela o reportará com exatidão àqueles momentos
felizes, e o deixará divagando...divagando...para, em seguida,
reiniciar a sua crucifixão, detendo-se longamente..."torturantemente",
naquele momento de despedida. E você se verá sofrendo outra vez.
A saudade é assim mesmo.
Ainda há os que dizem que: "recordar é sofrer duas vezes".
Iiiiiiiii...é pouco! A saudade é muito mais poderosa na arte de torturar.
Ela multiplica seu sofrimento milhares de vezes, indefinidamente".
Só há uma arma capaz de destruí-la: a presença da pessoa amada.
Então...ela murchará a seus pés, e ainda exalará o envolvente
perfume, que inebriará seu coração, devolverá o brilho aos seus olhos, e
com sabor de endorfina o fará sorrir novamente.
Quem advinha?
É ela, a tal FELICIDADE.
Pode crer.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ÊXTASE

        (do meu livro de acrósticos)
                  (01/12/82)

Dúvidas que voejam errantes
Utópicos pensamentos
Batendo nas paredes da mente.
Insólitos desejos malogrados
O despertar de sonhos inacabados.

Foi o encontro que não se deu, a timidez...
O beijo que houve...são ansiedades...
Incontidas...O amor que não se fez.

Misterioso voejar por céus de ilusão...
Asas transparentes contando a amplidão...
Rasgando o tempo e o desconhecido,
Ansiosas, aventuras buscando,
Veloses, os cosntornos de um coração.
Instantes que no tempo se perderam...
Lampejos exortantes...volatizam...
Horas mortas...horas que não marcam
Os minutos que, insólitos, passaram.
Sorte dividida...caminhos desencontrados
O despertar de sonhos fracassados.

Fonte que não produz...
A onda que não chega...
Linhas de um horizonte distante...
A esperança que não conduz,
Rebuscar de lembranças latentes.

Caso sem cor nem final
O romance...de um amor ideal
Marca real. Momento inesquecível.

Voz que na garganta morre, sufocada...
O grito ultrassônico dálma desesperada,
Caindo dos olhos, num silencioso megulhar interior...
Êxtase inglório! Suplício de um grande amor.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O SIM QUE DEVERIA SER NÃO

              (do meu livro:
      SEM HORIZONTES)


Disseste: sim.
Então...
Houve um fim
De ilusão...
Um princípio
De sofrimento.
E então...
Se fez noite
No meu dia.
Que pena!
A tristeza eclipsou a alegria
Do meu coração.
Naquele momento,
Houve inundação
No meu deserto...
Um deserto
No meu mar!...
E, entre o morrer
De esperanças...
E o explodir de sonhos...
Entre o subir e o descer
De caótica emoção,
No fundo do meu ser,
Senti...então
O pranto sentido
Da minh'alma...
E ouvi o gemido
Do meu coração.
Devias ter dito: não.
Para minha dor...
Tu tinhas outro amor.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

TIVE QUE DIZER ADEUS

        (letra de música)


Você maltratava
Sem compaixão
Você machucava
O meu coração
Que tanto te amava
Cheio de ilusão.
Você magoava
Meu coração
Quando dava
A outras, os carinhos
Que eram meus
E eu não podia dar
Os carinhos
Que eram seus.
A sua ingratidão
Destruiu os sonhos meus
E, ainda cheio de paixão
Tive que dizer adeus!

UM DIA...

                (do meu livro:
O AMOR EM ONDAS E CASCATAS)


Um dia, nossa história vai ter um fim.
E tudo isso, creio, haverá de passar.
Um dia, sei que vai voltar para mim.

          Um dia, nosso drama vai terminar
          Um dia, a gente não vai mais sofrer
          E então, eu hei de vê-lo chegar!

Um dia, meu sofrimento vai acabar
Um dia, vou viver tudo o que sonhei
E do passado, não vou me recordar!


domingo, 4 de novembro de 2012

ESSA MANIA QUE VOCÊ TEM

         ESSA MANIA QUE VOCÊ TEM
                   (letra de música)


Essa mania que você tem
De brincar com o amor
Olha, olha aqui, meu bem
Você está comprando a dor

Olha, olha aqui, meu bem
Está procurando o sofrer
Você se esquece também
Quem planta tem de colher.

Olha, olha aqui, meu bem
Se um dia você chorar
Pensa nesse alguém
P´ra seu pranto enxugar.

Olha, olha aqui, meu bem
Meu amor nunca morreu
Quem já teve, sempre tem
Meu amor, ainda sou seu!

sábado, 3 de novembro de 2012

PALCO DA VIDA

        IMPLOSÃO DO EGO


Um dia...
Encontrei-me com um poeta amigo, e ele manifestou
o desejo de aposentar a caneta. Estava triste e decepcionado...
Nem me atrevi a saber o por que de tanto desânimo.
Vim para casa, pensativa...e em sua homenagem compus este
poema:

Parece que o meu EU não quer entender... 
Ao deixar o palco, que ao me libertar
Lá, não pretenda mais subir!
Como espectador apenas, desejo ficar.
O espetáculo quero assistir.

Da minha cadeira, anônimo, quero estar
A rever os meus coatores a representar.

Viva, a quem sofreu, a quem riu, e a quem amou!
Implodindo o meu EU neste instante,
Da "ciranda da vida", saí. Tudo terminou!
Adeus colegas, adeus palco! Finalmente.

A vida é um grande palco, e nós os atores. Interpretamos,
cada um o seu papel. Somos todos atores.
É encenada a grande peça que Deus escreveu: A VIDA.
Muitas das vezes, não nos damos bem com os personagens
que vivemos, nem gostamos do papel que nos é dado a interpretar.
Mesmo assim, chorando ou rindo, temos de continuar.
Ninguém pode parar. Se desistirmos, o DIRETOR nos corta.
Somente cortados, é que adquirimos o direito de deixarmos o palco.
Eu não quero mais subir ao palco.
Vou desistir!
Quero me transformar em um espectador a mais na plateia.
Adeus palco...adeus VIDA!

Pouco tempo depois, ele falece.
Incrível, não?!