sexta-feira, 12 de agosto de 2011

NEGOCIANDO COM A MORTE

                       ATÉ ONDE CHEGA A INSENSATEZ HUMANA


     Papai já me dizia, quando ainda jovem, lá pelos meus dezoito anos: - Filha...acho um charme a mulher com um cigarro entre os dedos!...Quer experimentar? Para agradá-lo, aceitei. Nunca havia fumado e não gostei do sabor nem do odor. Graças a Deus!
     Papai era um homem de pouca conversa mas, de uma inteligência respeitável. Naquele dia, não me dera conta da inconsequente oferta, tamanha era a admiração e respeito que eu nutria por ele.
     Entretanto hoje, fico estarrecida diante do comportamento do homem depois de tantos conhecimentos e testemunhos dos portadores de doenças, muitas incuráveis, outras em fase terminal, que impingem ao paciente intensos e prologados sofrimentos, lentamente, levando-os até aos estertores da morte! Mesmo assim, eles saem, de livre e espontânea vontade, gastando o seu suado dinheirinho, comprando drogas, cigarros e bebidas alcoólicas que lhes furtarão a saúde, podendo jogá-los num leito de hospital, UTIS e, quem sabe, como ponto final, guardá-los num belo e trabalhado caixão!
     Contudo, nenhum argumento será capaz de dissuadir um adolescente curioso por experimentar. Podemos dizer que, será um caminho sem volta e que, desses terríveis inimigos da saúde, deveriam passar bem longe...cortar voltas! Mas, que nada, não nos ouvem!
     Como pode, um ser humano desejar, com tanta veemência, algo que irá destruí-lo?
     Para mim, é algo que não compreendo...não alcanço o verdadeiro sentido de tão colossal e incontrolável desejo.
     Esses jovens têm a minha compaixão, às pessoas que deliberadamente entraram para o submundo dos vícios, a minha solidariedade, muito mais, a minha tristeza.
     Creio haver, para todo esforço, uma nova chance e uma luz no fim do túnel. É só querer e ir na direção certa.

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