quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A NEGATIVA

        (extraído do meu livro:
DICIONÁRIO DAS EMOÇÕES)

O NÃO, é como um deserto sem oásis.
NÃO! Esta expressão sibila como o vento e fere como um chicote.
O NÃO possui em sí, a aridez do deserto e a selvageria do homem antropófago.
Falado, o NÃO é dissonante como devem ser as vozes do "outro mundo", numa noite de ventania. Gesticulado apenas, tem a dureza e a frialdade da rocha. É tão estéril o NÃO, que se assemelha a um rochedo, onde nem o cardo medraria. Após um NÃO, sentimo-nos como único sobrevivente num campo de batalha: tudo é sangue e cadáveres. Para nós tudo: serão ruínas, escombros, castelos desfeitos...
Mas há outro NÃO, irmão gêmeo daquele. Este NÃO, dito por uma pessoa que nos ama e nos impede de cometermos uma tolice. NÃO SAGRADO; NÃO BENDITO, que nos traz de volta, a confiança perdida; que nos consola e aquece, como uma lareira o faz numa noite de inverno.
Antes de proferirmos um NÃO, vejamos se dele, não dependerá a alegria de uma pessoa que nos é cara, ou o sonho de alguém.
Refazer-se do golpe de uma negativa, é tão difícil, como o é, encontrar-se alguém que não o diga a todo momento e com a maior facilidade.
Como o sol inclemente murcha a flor, o NÃO faz murchar a ilusão no coração de quem o recebe.
Impiedosa negativa, pode gerar o desespero na mente humana e a revolta num jovem coração cheio de sonhos.
Onde só se diz NÃO, não poderá haver o calor de um sorriso, porque o NÃO é símbolo da tristeza, da ausência de aluguma coisa ou de alguém. Lembra-nos o vazio deixado por esse alguém que partiu. O NÃO é frio como o gelo e negro como deve ser o mal e seu cortejo.
Resistindo ao SIM, daremos origem à tristeza, que é o cortejo fúnebre do NÃO, por excelência.
Infelizmente, o mesmo remédio para enfermidades tão distintas.
          NÃO, consolo - NÃO decepção
          NÃO, felicidade - NÃO amargura
          NÃO, sol - NÃO desilusão, humilhação
          NÃO, vida - NÃO desolação, morte!

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